Há
duas semanas, observei como a Rússia e o Irã estavam
manipulando a guerra civil síria
em seu proveito. Agora, a maldade está se espalhando. Hoje, as milícias lideradas pelo Irã estão abertamente
ameaçando o governo iraquiano e militares
russos estão se mobilizando em apoio ao ditador Bashar al-Assad.
Como Michael Weiss observou no Daily
Beast, a Rússia já está instalando seus militares na
Síria. Com o enorme contingente e
logística associada que a Rússia está empregando, Putin está nos dizendo que rejeita o desejo do Ocidente para
um processo de paz sírio que eventualmente levaria a queda de Assad.
Por
que Putin
está agindo agora? Porque a Inglaterra e a
França, provavelmente em breve, se juntarão para
realizar ataques aéreos contra Estado
Islâmico na Síria, e porque a
Turquia já manifesta seu desejo de que os Estados Unidos
promovam ações mais duras contra Assad. Contrariando estes desdobramentos, a movimentação militar da Rússia trás consigo uma mensagem em três frentes para o presidente Obama: nós não estamos indo a
lugar algum, nem o Assad e, então, suas investidas serão um desafio direto à nós.
Depois,
há o
Irã. Na semana passada, o Exército iraquiano atacou o Kataib
Hezbollah (KH) – uma
milícia alocada no Iraque e controlada
pelos iranianos - em resposta ao sequestro
realizado no dia 2 de setembro, aparentemente realizado pelo KH, de 17 ou 18
cidadãos turcos que estavam construindo um estádio esportivo em Bagdá. O KH
nega o envolvimento neste sequestro, apesar de todas as características da ação
indicarem o contrário: foi uma operação bem planejada e realizada por homens fardados.
O governo do Iraque reiterou que havia provas
convincentes para retaliar o KH em
resposta aos seqüestros, e o fizeram mesmo
sabendo que provocariam a fúria dos iranianos. Sequestrando os cidadãos turcos,
o Irã está flagrantemente confrontando o presidente Erdogan e o poderoso
exército turco. Os líderes iranianos mostram que estão dispostos a correr
grandes riscos para dissuadir nova ação turca contra Assad.
Ainda assim, como
o ataque ao KH nos mostra, o primeiro ministro iraquiano Abadi e o aiatolá Ali
al-Sistani — um líder xiita
iraquiano — estão desafiando cada vez mais o governo iraniano.
Eles sabiam que milícias como o KH servem apenas para o plano expansionista do
Irã. Afinal de contas, as milícias iranianas estão agora ameaçando os generais
e ministros de Abadi nas mídias sociais. Como disse o expert em milícias iranianas,
Luke Steg, as ameaças “mostram a animosidade que está sendo criada entre as
facções de Sistani e Khamenei, ambas operantes em Bagdá”.
Steg está certo. A
política iraquiana tem raízes profundas nas alianças estabelecidas. Os Estados
Unidos devem apoiar o primeiro-ministro Abadi agora que o Irã tenta miná-lo. Mais
explicitamente, o presidente Obama deverá investir militarmente contra as milícias
iranianas caso tentem desestabilizar o governo Abadi. Este será o primeiro
teste real ao qual a promessa do presidente Obama de que o acordo nuclear com o
Irã não irá restringir o apoio americano aos nossos aliados. Tantos os aliados
como os inimigos estarão atentos para ver como o presidente Obama lidará com a
situação.
Os Estados Unidos podem confrontar o Irã e a Rússia. Sabemos
por experiências anteriores que o líder da milícia iraniana, o general
Suleimani, pode ser dissuadido. O Irã se torna mais agressivo quando vê os americanos
tímidos. Sabemos também (de quando Bush usou voos simbólicos para forçar um
acordo de paz depois que a Rússia invadiu a Georgia em 2008) que o presidente
Putin também pode ser dissuadido.
Em última análise, os Estados Unidos continuam a ser a nação
indispensável para a liberdade mundial e para a justa paz. Seria estratégica e
moralmente catastrófico permitir que os iranianos e os russos tomassem as
rédeas do Oriente Médio. O resultado seria ainda mais instabilidade e mais do terrorismo
que ameaça a América e todo o Ocidente. O mundo está novamente aprendendo com
os milhares de refugiados sírios que desesperadamente fogem para a Europa que,
quando os Estados Unidos falham em liderar, muitos países acabam por pagar um
preço alto demais.
- Tom Rogan é escrito, palestrante no The McLaughlin Group e pesquisador
no Steamboat Institute.
Matéria original aqui!
Matéria original aqui!