segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Irã e Rússia podem ser dissuadidos no Iraque e na Síria



Há duas semanas, observei como a Rússia e o Irã estavam manipulando a guerra civil síria em seu proveito. Agora, a maldade está se espalhando. Hoje, as milícias lideradas pelo Irã estão abertamente ameaçando o governo iraquiano e militares russos estão se mobilizando em apoio ao ditador Bashar al-Assad.

Como Michael Weiss observou no Daily Beast, a Rússia já está instalando seus militares na Síria. Com o enorme contingente e logística associada que a Rússia está empregando, Putin está nos dizendo que rejeita o desejo do Ocidente para um processo de paz sírio que eventualmente levaria a queda de Assad.
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Por que Putin está agindo agora? Porque a Inglaterra e a França, provavelmente em breve, se juntarão para realizar ataques aéreos contra Estado Islâmico na Síria, e porque a Turquia já manifesta seu desejo de que os Estados Unidos promovam ações mais duras contra Assad. Contrariando estes desdobramentos, a movimentação militar da Rússia trás consigo uma mensagem em três frentes para o presidente Obama: nós não estamos indo a lugar algum, nem o Assad e, então, suas investidas serão um desafio direto à nós.

Depois, há o Irã. Na semana passada, o Exército iraquiano atacou o Kataib Hezbollah (KH) – uma milícia alocada no Iraque e controlada pelos iranianos - em resposta ao sequestro realizado no dia 2 de setembro, aparentemente realizado pelo KH, de 17 ou 18 cidadãos turcos que estavam construindo um estádio esportivo em Bagdá. O KH nega o envolvimento neste sequestro, apesar de todas as características da ação indicarem o contrário: foi uma operação bem planejada e realizada por homens fardados. O governo do Iraque reiterou que havia provas convincentes para retaliar o KH em resposta aos seqüestros, e o fizeram mesmo sabendo que provocariam a fúria dos iranianos. Sequestrando os cidadãos turcos, o Irã está flagrantemente confrontando o presidente Erdogan e o poderoso exército turco. Os líderes iranianos mostram que estão dispostos a correr grandes riscos para dissuadir nova ação turca contra Assad.

Ainda assim, como o ataque ao KH nos mostra, o primeiro ministro iraquiano Abadi e o aiatolá Ali al-Sistani um líder xiita iraquiano — estão desafiando cada vez mais o governo iraniano. Eles sabiam que milícias como o KH servem apenas para o plano expansionista do Irã. Afinal de contas, as milícias iranianas estão agora ameaçando os generais e ministros de Abadi nas mídias sociais. Como disse o expert em milícias iranianas, Luke Steg, as ameaças “mostram a animosidade que está sendo criada entre as facções de Sistani e Khamenei, ambas operantes em Bagdá”.

Steg está certo.  A política iraquiana tem raízes profundas nas alianças estabelecidas. Os Estados Unidos devem apoiar o primeiro-ministro Abadi agora que o Irã tenta miná-lo. Mais explicitamente, o presidente Obama deverá investir militarmente contra as milícias iranianas caso tentem desestabilizar o governo Abadi. Este será o primeiro teste real ao qual a promessa do presidente Obama de que o acordo nuclear com o Irã não irá restringir o apoio americano aos nossos aliados. Tantos os aliados como os inimigos estarão atentos para ver como o presidente Obama lidará com a situação.

Os Estados Unidos podem confrontar o Irã e a Rússia. Sabemos por experiências anteriores que o líder da milícia iraniana, o general Suleimani, pode ser dissuadido. O Irã se torna mais agressivo quando vê os americanos tímidos. Sabemos também (de quando Bush usou voos simbólicos para forçar um acordo de paz depois que a Rússia invadiu a Georgia em 2008) que o presidente Putin também pode ser dissuadido.

Em última análise, os Estados Unidos continuam a ser a nação indispensável para a liberdade mundial e para a justa paz. Seria estratégica e moralmente catastrófico permitir que os iranianos e os russos tomassem as rédeas do Oriente Médio. O resultado seria ainda mais instabilidade e mais do terrorismo que ameaça a América e todo o Ocidente. O mundo está novamente aprendendo com os milhares de refugiados sírios que desesperadamente fogem para a Europa que, quando os Estados Unidos falham em liderar, muitos países acabam por pagar um preço alto demais.

- Tom Rogan é escrito, palestrante no The McLaughlin Group e pesquisador no Steamboat Institute. 


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